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Paulo V.C. Costa > histórias
 
Um baixinho gigantesco
 
Foi a simplicidade o que me cativou. Era um homem extremamente simples. Alguém que dava prazer em escutar e que logo deixava todo mundo à vontade. Não tinha, mas nem de leve, aquela empáfia engalanada dos emplumados escolhidos.

O conheci nos anos 90/91. Coincidentemente, presidia o RCPA e ele, o RI.
Nessa gestão veio a Porto Alegre e, junto a uma pequena multidão, compareci ao aeroporto para as boas-vindas onde não pude dizer muito mais do que "muito prazer..."

Com Demetrinho (Demétrio Mércio Xavier Fº) resolvemos ir a N. Hamburgo onde teria lugar um almoço festivo, mas lá também a multidão ainda era maior. Foi no salão "Negrinho do Pastoreio", no palácio Piratini, enquanto aguardava para ser recebido pelo Governador do Estado (Sinval Guazelli) que aproximou-se e pudemos "bater um bom papo" sobre o RCPA, seus amigos e as realizações do clube. Depois foram as formalidades, placa na Praça da Matriz, homenagem na Câmara de Vereadores e jantar à noite na Sogipa.

Um encontro fugaz.

Em novembro de 1995, editava um boletim muito singelo quando a TV trouxe a notícia da morte de Yitzhak Rabin.
Rabin era um paladino da paz no oriente médio e a paz mundial é o objetivo permanente de Rotary.

Liguei para Paulo Viriato (23h). Duvido que lembrasse de mim mas prontamente correspondeu ao meu pedido (Seria Rabin Rotariano?) vou dar uma pesquisada e te respondo. Uma hora depois ligou-me. Havia consultado Evanston (sede do RI) e também o Rotary Club de Israel. Disse-me que Rabin não era Rotariano mas era companheiro Paul Harris da Fundação Rotária e que há cerca de um mês e meio havia feito uma palestra no Rotary Club de Nahariya para 600 participantes.

Estava pronta a base da notícia.
24 horas depois do fato, o Boletim do RCPA estampava um editorial, perfeitamente justificado, comentando a perda de um homem que além de ser um líder político e Prêmio Nobel da Paz, era também ligado ao Rotary Club por laços idealísticos. O editorial foi lido pela presidência e considerado mensagem oficial do clube.

Tempos depois fiquei sabendo, por comunicação pública de Fernando Magnus ao clube, que tal boletim havia sido levado por Paulo Viriato para a ONU, como sendo a primeira manifestação de um Rotary Club sobre o fato.

Tendo sabido que Paulo Viriato passaria por Porto Alegre com destino a Uruguaiana, onde iria prestigiar a Conferência Distrital, fui ao aeroporto e com ele pude privar por alguns minutos. Foi um acontecimento rotário onde houve espaço para conversar, quer na sala VIP, quer durante o almoço. Ali consolidei minhas impressões sobre a personalidade deste verdadeiro rotariano, que jamais vi andar protegido por batedores nem negar-se a receber, ou ajudar, quem quer que fosse e, muito menos, rotarianos.

Paulo Viriato Corrêa da Costa deixa a prantear-lhe a ausência a dedicada esposa Rita, os filhos Paulo Eduardo, Jorge Augusto, César Luís e Cinthia e mais um milhão e trezentos mil rotarianos espalhados pelo mundo.

Talvez, quando estou a escrever estas linhas, não estará Paulo Viriato junto a Darcy Cordeiro, Demetrinho e Walter Koch pensando em como servir, de lá, o mundo de cá?

É uma esperança.

Uma boa esperança!
 
Antonio Alonso Rosa
 
 
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