O dia não posso me lembrar com exatidão,
mas o momento está gravado profundamente em minha
memória. Era um dia normal, dentre os programados
para entrega do Prêmio de melhor companheiro, no ano
rotário 1997/98.
Eu, pela primeira vez, organizava o programa sexagenário
no Rotary Club de Santos e em um pequeno colégio
municipal, para crianças da terceira série
do ensino fundamental, chegava o companheiro Paulo Viriato,
espontaneamente, sem fazer parte daquela comissão
específica de visitação e entrega mas,
como sempre, um voluntário.
Fizemos normalmente a entrega e ele, gentilmente, me pediu
que fizesse o pequeno falatório às crianças
sobre o que é Rotary e ele o que é o Programa
Melhor Companheiro (hoje com 61 anos de execução),
divisão sempre feita entre os companheiros que entregam
o premio. Cumpri minha tarefa.
Lá foi ele. Levantou-se, dirigiu-se às crianças
com uma enorme e vibrante alegria e pediu-lhes: “-
Sentem-se aqui, todos em volta de mim, fazendo uma rota.”
Todos o atenderam imediatamente, ficando ele ao centro.
Sentou-se, de paletó azul e gravata, no meio das
crianças e começou a falar-lhes como a seus
netinhos. Carinhoso, sem discursos, de forma tão
meiga quanto educativa. Contou-lhes um conto, mas que uma
informação. Disse-lhes como nascera o companheirismo
rotário que dera fundamento e significação
ao programa Melhor Companheiro. Tudo ali, sentadinho no
chão. Ele, o ex presidente de Rotary Internacional.
Simples, rotariano mais do que tudo.
Minha emoção foi imensa e minha admiração
pelo homem Paulo Viriato, mais do que pelo arquiteto e ex-presidente
internacional, tornou-se o diapasão de nossa amizade.
Hoje, em tantos dias de entrega do programa Melhor Companheiro
aos quais compareça, roubo-lhe a originalidade. Sento-me
junto às crianças e me emociono ao lembrar-me
dele e de suas palavras paternas e ternas. E elas me fitam
como fizeram a ele. Outras crianças, outro rotariano,
mas o mesmo exemplo do grande homem.
Ricardo Miranda de Carvalho Presidente 2004/2005 do Rotary
Club de Santos.
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